30 anos do Museu Regional

Ontem o Museu Regional de Macaúbas, anexo da Fundação Cultural Prof José Batista da Mota, completou 30 anos de existência. Nunca é demais destacar que o nosso museu é um marco importantíssimo para a cultura local, dado o seu pioneirismo na região, reconhecidamente órfã de opções de acesso público à cultura. A partir de janeiro de 2019, estamos planejando diversas ações culturais em conjunto com grupos e iniciativas já existentes que englobarão tanto a Fundação como o Museu, tornando mais efetivo este acesso a cultura para todos aqueles que se interessarem.


Como uma forma singela de comemorar este aniversário, segue abaixo um texto do nosso fundador, prof Ático Villas Boas da Mota (in memoriam), texto este que porventura completa hoje 10 anos, publicado originalmente como o primeiro de muitas crônicas enviadas para a Rádio Melodia Web, de São José do Rio Preto / SP. 

Natal? Quem diria! ...
(12/12/2008)

Todos nós sabemos que no Universo tudo é movimento e o nosso planeta, apesar de minúsculo no concerto cósmico, não podia ser diferente. Forçoso é repetir: tudo muda, tudo se transforma, tudo se modifica: Tudo muda para melhor ou para pior? Com outras palavras: evoluímos ou involuímos? E aqui vale a alternância: ora para melhor, ora para pior, pois tudo depende do bom ou mau uso do nosso precioso livre arbítrio.

Estamos na antevéspera do Natal. Seria bom convidarmos os leitores à seguinte reflexão: As festas natalinas, tradicionais e aguardadas com tanta ansiedade por crianças e adultos, sempre foram motivos para se cultivar uma série de bons costumes familiares, por exemplo: o da armação de presépios nos lares brasileiros, gesto comemorativo do nascimento de Cristo numa simples manjedoura. A tradicional missa do galo - tão presente em nossa literatura – oportunidade para a meditação sobre a chegada daquele que nos veio trazer uma sedutora mensagem de amor e paz entre os homens.

Infelizmente o materialismo traduzido sobretudo pelo pragmatismo e consumismo tem desfigurado bastante o sentido do Natal, pois de tão espiritual que era - aos poucos - vem-se transformando numa simples festa mundana com predominância do culto ao corpo em prejuízo do espírito, exacerbação do comer, beber e vestir, enfim, de todos os prazeres físicos (cultura dionisíaca), nada sobrando para os prazeres espirituais (cultura apolínea). E mais: Tudo aquilo que poderia ser motivo para a prática da caridade vem sendo posto no rol do esquecimento, ou melhor, da descaracterização. Eis aqui um exemplo nada edificante: Algumas sociedades filantrópicas e até mesmo as de caráter religioso geralmente aproveitam os festejos natalinos para ajudar os pobres por meio de ruidosa distribuição de cestas de natal, brinquedos, agasalhos etc. Geralmente o fazem perante as câmaras de televisão ou diante das máquinas fotográficas dos repórteres, sem falar no gesto de políticos ou empresas comerciais que, nessa época, mostram-se generosos para com as legiões de necessitados. Tudo feito com retumbante propaganda. Pois bem: em outros tempos, a coisa era muito diferente: Frei AMADOR ARRAIS (1530-1600), grande pregador e clássico da língua portuguesa, quando era bispo auxiliar em Évora (Portugal) costumava, em época de grandes calamidades públicas ou grandes provações sociais recolher esmolas que eram distribuídas aos pobres ou flagelados nas altas horas das madrugadas a fim de não magoar os corações daqueles que dependiam da misericórdia ou generosidade dos demais.

Ao final, cabe aqui a interrogação: Em determinados aspectos, nós evoluímos ou involuímos? Com outros termos: Caminhamos para a frente ou muito para trás?


Ático Vilas-Boas da Mota

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